sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Das manhãs da normalidade possível
domingo, 7 de fevereiro de 2021
Fevereiro
Hologramas
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Confins
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
É necessário dançar antes que a morte venha e nos apague a cara
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
A morte do pai
sábado, 23 de janeiro de 2021
Mar
segunda-feira, 18 de janeiro de 2021
Starry Night
sábado, 16 de janeiro de 2021
Talvez o fim do mundo
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
(Temporary Backup) Minuet in D Minor
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
Medicamentos do coração
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Dia 30 do mês de Dezembro do Ano da Peste
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Kierkegaard, o cão Pirata
sábado, 26 de dezembro de 2020
Tango caliente
2020
quarta-feira, 18 de novembro de 2020
Noite
Às vezes o peso da noite acorda-me no estremecimento de não saber onde tenho a espada. Entreguei-a há tanto tempo que devo ter esquecido onde a guardaram. Todos os armistícios têm o preço do desarmamento. E acordada não me queixo. Paguei pelo amor infinitamente menos do que vale. Pagaria, a cada dia, cem vezes mais.
quarta-feira, 21 de outubro de 2020
Nós
Todas as gerações e os poentes.
Os dias e nenhum foi o primeiro.
A frescura da água na garganta
De Adão. O ordenado Paraíso.
O olho decifrando a maior treva.
O amor dos lobos ao raiar da alba.
A palavra. O hexâmetro. Os espelhos.
A Torre de Babel e a soberba.
A lua que os Caldeus observaram.
As areias inúmeras do Ganges.
Chuang Tzu e a borboleta que o sonhou.
As maçãs feitas de ouro que há nas ilhas.
Os passos do errante labirinto.
O infinito linho de Penélope.
O tempo circular, o dos estóicos.
A moeda na boca de quem morre.
O peso de uma espada na balança.
Cada vã gota de água na clepsidra.
As águias e os fastos, as legiões.
Na manhã de Farsália Júlio César.
A penumbra das cruzes sobre a terra.
O xadrez e a álgebra dos Persas.
Os vestígios das longas migrações.
A conquista de reinos pela espada.
A bússola incessante. O mar aberto.
O eco do relógio na memória.
O rei que pelo gume é justiçado.
O incalculável pó que foi exércitos.
A voz do rouxinol da Dinamarca.
A escrupulosa linha do calígrafo.
O rosto do suicida visto ao espelho.
O ás do batoteiro. O ávido ouro.
As formas de uma nuvem no deserto.
Cada arabesco do caleidoscópio.
Cada remorso e também cada lágrima.
Foram precisas todas essas coisas
Para que um dia as nossas mãos se unissem.
In Jorge Luis Borges, As Causas
Trad.: Fernando Pinto do Amaral
sábado, 17 de outubro de 2020
Enquanto houver dálias ao sábado...
Dizem-me que no mundo, na europa, no país, em Lisboa, na minha freguesia, há ameaças, vírus e políticos, internamentos, doentes, mortos, aplicações e máscaras. Não sei nada sobre essas coisas.
Ontem, a maré foi das grandes e o rio ia cheio e espelhado pela falta do vento. Hoje amanheci entre o sol e os braços do meu amor. Comprei dálias no mercado biológico aqui ao lado e demorei-me, ao som do jazz, a dispô-las na jarra.
Se escolheres bem e tiveres muita sorte e tiveres vivido muito tempo dentro de um poema, pensei, talvez a tua vida, toda a tua vida, possa ela própria transformar-se num conjunto de estrofes harmonizado por um sentimento.
Agora, o meu amor toca guitarra aqui ao meu lado e, de alguma forma, eu sei:
Enquanto houver dálias ao sábado, tudo estará bem.
