sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O tupi de quem fizeram um apache

Os pés sempre sujos de terra vermelha. Não sabe dizer ao certo quantas tonalidades de verde conhece. Nem descrever o peso das gotas de chuva que por vezes cai em cortina.
O tamanho dos bichos. O açúcar da fruta.


Vestiram-lhe couro em franjas. Trocaram-lhe as penas coloridas por outras, só pretas nas pontas. Calçaram-no. Partiram-lhe o arco e todas as flechas que trazia consigo, estas em três.

Um dia, quis voltar. Mandioca. Feijãocomarroz. Uma vontade louca.
Os bichos não eram os mesmos. Teve calor e quis tirar a roupa. Mas não conseguia descalçar as alpargatas. Desconforto.

Voltou para o hotel ***** com vista para o céu. Tomou um banho longo. Definitivo.
Quando olhou o espelho, era cara-pálida. Para sempre.

2 comentários:

  1. Há processos de transformação que são estradas de sentido único. Um beijinho para ti.

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