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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Uma mulher sabe que fez uma má escolha quando...


Sai orgulhosamente para a rua com o seu fantástico e exótico vestido de linho comprado num igualmente fantástico e exótico país asiático e à saída do BPI ouve uma senhora queixar-se ao filho adolescente:
- O raio da mulher da camisa de dormir passou-me à frente na fila da caixa!!!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Uma estrela. Uma criatura mítica.

A minha avó materna foi uma criatura singular. Tinha um feitio insuportável. Era uma doçura “para os de fora” como dizia o meu avô.

Ao mesmo tempo era uma verdadeira estrela.

Apesar da decadência que a colocou na classe média, fazia as suas refeições com talheres de prata, um jogo composto por colher de sopa, garfo e faca só dela. O meu avô também tinha os dele. Como ela dizia, fazia parte do que sobrou “depois que o teu avô deu cabo da ourivesaria...”. A Ourivesaria Ribeiro, sita na anteriormente distinta Rua do Loureiro, estava na família desde 1762, passando de pai para filho primogénito até que chegou às mãos de um homem sensível a quem não deixaram ir para Belas Artes porque isso eram “ocupações para ociosos” e que deviam permanecer como meros passatempos na vida de um homem decente. Perdi a conta das vezes que a ouvi falar do meu avô como um homem que não sabia dizer não – referindo-se às histórias dos pulhas que se abasteciam na loja e diziam que pagavam depois.

Eram gente de ter criados de dentro e criados de fora; destes nem chegavam a saber o nome. A minha mãe não carregava a pasta no caminho para o colégio. No tempo do Salazar não havia tanta pouca-vergonha. Depois, o meu avô deu cabo da ourivesaria; meteram-se num barco para o Brasil; voltaram; morreram confortavelmente instalados na classe média.

Era cliente dos Armazéns Marques Soares, daquelas lojas de departamento onde a roupa é estupidamente mais cara porque as pessoas abrem contas e pagam em vezes, sem juros. Lá, as camisolas estavam todas em prateleiras e em plásticos individuais. E as funcionárias atendiam as clientes desde que chegavam até que pagassem na caixa central. Exagerava bastante nas compras. O meu avô pagava tudo. Chegou a ter três tailleurs brancos. Ficavam-lhe bem quando a Primavera já ia adiantada, coordenados com blusas de seda azul escura às bolas brancas.

Nunca saía de casa sem ter as unhas arranjadas e batom.

Não gostava de beijos. E dizia-o. Tinha meios-irmãos. O pai era militar e morreu de febre amarela. O seu vestido de casamento foi mandá-lo fazer a Paris.

Possuía muitas coisas. Fiquei com algumas. Presentes de aniversário, Páscoa, mimos do meu avô. Todas da Ourivesaria. Em conjunto com os calotes dos pulhas, o meu avô ajudou a enterrar a ourivesaria, agora eu tenho a certeza. São as minhas jóias mais bonitas.

A minha avó possuía mais uma coisa fantástica, mas que eu não herdei: POBRES.

Sim, a minha avó TINHA pobres. Dizia: “Eu tenho que ir ver os MEUS POBRES.” Ia à Baixa duas a três vezes por semana. Ia ver os pobres dela e ia ao Marques Soares. Pelo meio lanchava com as amigas na Brasileira ou na Império. Nas tardes da semana, a Baixa do Porto ainda não estava atulhada de desempregados ou subsidiados. Ia ter com a D. Mariazinha Modista, a D. Mariazinha Miserável e a D. Lucília. Esclarece-se que lá em casa toda a gente sempre teve cognomes, vício que o meu avô passou aos filhos e netos. Havia a Bomba Atómica (familiar), o Quenéde (vizinho), o Cantor das Multidões (familiar)... A Modista tinha um atelier, a Miserável era rica e estupidamente sovina e a D. Lucília era a D. Lucília.

Mas ela ia ver os seus pobres. Sempre achei isto uma coisa muito chique. Eu também fui com ela muitas vezes. Nunca vi os pobres, mas via sempre as freiras. A minha avó, apesar de lá ir, correspondia-se com elas. Recebia pajelas novas pelo correio.

Só não eram chiques os calendários dos artistas deficientes que ela trazia para casa, a fazer par com o calendário das Missões que, para além das fases da lua, informava o Santo de cada dia. Não eram chiques mas vinham dos pobres dela. Coitados. Tentei algumas vezes imitar aqueles artistas, pintando com a boca ou com o pé. Desisti. Nunca percebi como aqueles que pintavam com a boca impediam a baba de cair no trabalho. Atribuí a resistência às cãibras na planta do pé dos outros a uma inspiração divina.

Quando começou a dizer que a criada andava a levar-lhe as chávenas do serviço de chá que lhe ofereceram no seu casamento nas copas do soutien, foi viver para um lar. Um mês depois disto e dois dias antes de morrer, na tarde do seu aniversário a 28/12 lanchou com a minha mãe e conversou como se estivesse a tomar chá com a mãe dela. Veio pouca gente ao funeral. Ficamos com o fim de ano estragado.

Nunca fui amiga dela. Ela era impossível. Uma verdadeira estrela.

terça-feira, 23 de março de 2010

O factor Jackie K. O.








Caso em que, ao lado de um grande homem, mesmo que ele seja um grande bluff, está uma mulher fantástica.

Jackie's a KnockOut!

quarta-feira, 17 de março de 2010

...e quando...


A filha de dois anos e meio, ao vê-la chegar a casa da avó em roupa de treino - acabada de sair do ginásio - para a ir buscar, pára de repente e exclama:

"- Mamã, tu estás de Pijama!?"

Uma mulher sabe que fez uma má escolha quando...



Decide passear-se com as suas mellissas roxas flocadas, a combinar com a blusa acabada de estrear, e a filha de sete anos, reparando no facto, grita bem alto em plena esplanada:


"- Oh Mãe, então, vieste de pantufas para a rua!?"


terça-feira, 16 de março de 2010

e ainda os pantones

Alto! Pára Tudo!!
Bem sei que a troca de argumentos já lá vai, mas não posso deixar de defender a 3ª Via.
Assim, sem mais argumentos, e para vosso deleite:




Jessica Rabit Ariel




Julianne Moore



Marcia Cross

quinta-feira, 11 de março de 2010

Bacall vs Monroe ou o primeiro post sobre sexo (inspirado na fotografia publicada por Cuca)

Foi construído um mito em volta das preferências masculinas no que diz respeito às roupas e adereços, com o resultado de que muitas mulheres se arranjam deliberadamente para atrair a atenção e provocar a admiração dos homens mas as mais das vezes inspiram apenas espanto.


O QUE OS HOMENS CONSIDERAM REALMENTE ATRAENTE:

- Lauren Bacall

- roupas que estão na moda; os homens seguem mais as tendências da moda do que se pode imaginar, até o Wall Street Jounal publica artigos sobre moda;

- quase todas as tonalidades de azul; branco; cinzento muito claro e muito escuro; preto integral;

- no perfume, as fragrâncias subtis e sofisticadas;

- golas em fatos e casacos;

- ser subtilmente invejados.


O QUE OS HOMENS PENSAM QUE GOSTAM (mas só nos filmes):

- Marilyn Monroe

- roupa avant-garde;

- saias justas e reveladoras;

- seios agressivamente expostos ou em bico;

- pestanas postiças;

- lingerie de sex-shop;

- perfumes almiscarados, orientais;

- saltos em prego;

- metros de franja preta ou folhos vermelhos em chiffon;

- acompanhar a mulher que esteja a ser o centro das atenções masculinas numa festa em que estejam os seus amigos.


Mas não se aflijam. Esclarece-se que as mulheres distintas, como nós, gostam de sexo. Muito. Simplesmente, não andam a alardeá-lo expondo carne.

O video é destinado apenas ao visionamento privado das senhoras elegantes.


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