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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Em casa

E tu…? Tu, que dizes?
Eu? Digo que vivo contigo.



Um palhaço triste e uma bailarina velha.
Uma casa de jantar. Sombras de mogno que escorrem para o tecto.
Molduras de livros, de músicas, de pinturas. Aqueles, só capas. As outras, riscadas. Estas, sem vida.

Cheira a flores finadas pelos pés. A fruta passada. A linho guardado.

Loiça de salão. Prata de lei. Cristais checos.

Casca de ovo.

As fotografias. Cartazes de peças. Estiveram em cartaz por um momento só. O público, fiel, era sempre o mesmo. Agora, nem público.

Veludo alemão. Brocados. Tacos. Em espinha.
Luzes sem brilho. Pedras geladas.
Coisas que perderam o entusiasmo de tanto ouvir o vosso silêncio.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Daddy's Little Girl


Para além de me teres dado um feitio irascível,
uns olhos impossíveis de maquilhar em degradée,
um nariz comprido de esfinge
e de me teres transformado numa paddock girl logo aos 4 anos de idade ao colocares-me no colo do Emerson F. himself,
ensinaste-me a adorar esta foto e a comentar, sem grandes gaffes, um combate de boxe.
Amo-te Papá.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

No need to pee on a stick!





Que ainda haja chocolate AMARGO no armário da cozinha. Que seja O sucesso. Que aquele vestido na montra seja no NÚMERO 34. Que os seus olhos BRILHEM quando sob o corpo dele. Que ela SEJA feliz. Que no balanço das virtudes e iniquidades, o saldo seja POSITIVO. Que os idiotas que apontam no canto da piscina com toalhas D&G contrafeitas se deitem a MILHAS. Que o toucador se mantenha FIEL. Que o resultado seja: CURA. Que o Natal o seja em PAZ. Que não arredonde como a sua MÃE. Que continue a TROÇAR nos enterros. Que não descontinuem o seu PERFUME. Que consiga se DEFENDER. Que haja DECÊNCIA. Que NÃO tenha que cozinhar. Que não se ACABE. Que consiga copiar a memória do i-pod para o novo modelo sem perder NADA. Que não dêem cabo do CASTELO. Que ele tenha PACIÊNCIA. Que não a OBRIGUEM a reciclar. Que ele ganhe JUÍZO. Que não a DESCUBRAM. Que eles não DESISTAM dela. Que a criada seja INVISIVELMENTE perfeita. Que não morda a LÍNGUA. Que MANTENHA os seus poucos amigos. Que a miopia ESTAGNE. Que não se PARTA a redoma.

Que continuem a ENCANTAR-lhe certas coisas simples.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cartomância de feira



Medusa desconfia brutalmente das ciências ocultas. Todas. Idolatrias.

Entrou na tenda muito contrariada. Achou a decoração pirosa. O incenso nauseou-a.
Via-se mal. Sentou-se. Esperou. Até que lhe chegaram os olhos amendoados cor de esmeralda. Madura; gorda; mal arranjada. Medusa vaticinou: menopausa.

A mulher lá fez o que tinha a fazer enquanto Medusa contorceu-se de desconforto. Sem um único movimento. Mais de uma hora nisto.
No fim, Medusa exausta, mulher satisfeita – cheia do gozo, certa de que a tinha esmagado.

Ditou-lhe:

“Comporta-se de forma polida e controlada. Por vezes usa uma linguagem rebuscada, pouco comum num contexto coloquial. É uma pessoa popular entre pares. No entanto, as suas relações são marcadas pela superficialidade. É-lhe difícil o contacto humano em profundidade e, portanto, a identificação com os outros. Parece faltar-lhe capacidade empática. Defende-se. Não apresenta traços marcados de hostilidade ou agressividade mas tem uma grande tendência para o controlo. Facilmente inverte papéis, procurando impor-se e afirmar o seu ponto de vista. Esta atitude de cariz narcísico arrisca a fazê-la perder a objectividade.

Felicidades, Madame X.”

Medusa saiu da tenda com um sorriso rasgado no rosto e os olhos a brilhar de fogo.
Estava intacta.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

so... they wanted something simple...



... and how am I supposed to be a cute little cottage
IF I AM FUCKIN' VERSAILLES!?