Mostrar mensagens com a etiqueta ódio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ódio. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 29 de junho de 2010

Tiques burgueses

Local: qualquer
O quê: socialismo / comunismo-caviar

Local: bom restaurante
O quê: perguntar se o bacalhau está bom ou se está salgado

Local: boa loja
O quê: perguntar, depois de estar horas a ocupar a funcionária, se a peça escolhida está perfeitinha

Local: qualquer
O quê: gente que não é nada e que escreve a autobiografia

Local: clube solidário internacional
O quê: caridade organizada

Local: campo
O quê: quinta brasonada comprada em hasta pública

Local: qualquer
O quê: referir-se ao próprio carro pela marca/modelo como em: “Queres que guarde essa caixa no Bentley?”

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A propósito do circo II *** A Génese do Ódio


fobia do ridículo

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Carta Aberta


Exm.º Senhor Joaquim Pereira Chen da Silva:

Desde que chegou à cidade onde eu resido, há dois dias atrás, tenho estado a suportar a música roufenha da sua tenda durante o horário de expediente e não estou a gostar. Mais: já vai estando algum calor e os seus animais exalam aquele aroma de animal que me tem feito evitar passar à frente do vosso acampamento, apesar de o fazer de carro e ser o caminho mais curto do trabalho para casa.

Ou seja, serve a presente para lhe dizer que V. Ex.ª está a incomodar-me.

Aproveito a ocasião para lhe dirigir algumas palavras, que poderia dirigir ao Sr. Cardinali se a tenda em causa fosse dele.

Dono de circo. Aqui reside o primeiro problema: Pode ser-se dono de um circo? O que é que isso inclui, a tenda? As roulottes? Os animais? Os “artistas”!?

Como já pôde perceber, odeio circos. Vocês não prestam para rigorosamente nada. Quando o Mundo se espantava com pulgas amestradas ainda tinham o vosso lugarzeco no mundo do showbiz. Agora, quando qualquer pelintra pode ir fazer um safari, para quê exibir as vossas feras cheias de peladas e sarna, todas drogadas para não engolirem o domador de forma a colmatar a carência alimentar que as suas costelas pronunciadas denunciam?

Desculpe lá, mas ainda há alguém neste Mundo que acredite que o seu circo de tenda remendada é um circo “internacional”ou “galáctico”!? Por favor... há muito que deixaram de ser “o maior espectáculo do Mundo”... a não ser em degradação e piolhice. Não aprecio saltimbancos e acho o nomadismo uma parvoeira. Não se cansa de passar a vida a fazer as suas necessidades num balde? Depois morre num incêndio dum parque de campismo fajuto por fazer da roulotte habitação permanente aquecida a radiador a óleo... Não há paciência.

Não se defenda com a tradição do Circo do Mónaco – no Mónaco, o único circo que ainda tem público é o da família Grimaldi que proporciona espectáculos dantescos nas revistas côr-de-rosa europeias.

Encerre de uma vez por todas o seu barraco itinerante.

Deixe-se dessa vida. Desapareça da minha cidade. Senão, arrisca-se a fazer parte duma lista que eu cá sei...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Ódios de Estimação

24 com uma 38


Quem ama também odeia, como quem ri também chora. Não sou boazinha, simplesmente não tenho licença de porte de arma, nem arma sem licença.

Por inúmeras vezes já senti em mim, explicitamente, o desejo de matar. Tenho a certeza que, em determinadas situações, se tivesse uma arma, teria feito uso da mesma. O desejo de matar manifesta-se em mim num jorro de sangue anormal à cabeça, que me estonteia e tolda parcialmente a visão durante uns segundos. É nesses segundos que aperto o gatilho. Nada menos que um calibre 38. Com um estampido de deixar os ouvidos a zunir. Nem que seja para atirar aos pneus do idiota que resolve passar pela direita na autoestrada só porque ao sair da portagem o meu carro não atinge os 100 kms/hora em 4,9 segundos...

Para apaziguar a onda de ódio que me invade nessas situações e em muitas outras refugio-me na ideia de que este mundo estúpido vai sofrer um holocausto qualquer do tipo nuclear e os sobreviventes, de entre os quais eu obviamente me conto, irão viver os seus últimos dias acompanhados pelas baratas, sem lei nem dó. Dada a minha fragilidade física (antípoda do meu gigantismo de ego e da minha fortaleza de espírito) penso que apenas durarei cerca de 24 horas nessa nova ordem mundial. Mas essas 24 horas irei vivê-las num estado de plena violência, no aturdimento permanente que o ódio proporciona a quem nada mais tem a perder. Essas 24 horas compõem aquilo a que apelido de

O Dia Mad Max.

Finalmente terei porte de arma, sem licença.

E muita munição, porque do exercício em causa faz parte a elaboração mental de uma lista daqueles que irei aniquilar pelo fogo, nesse dia.

Tantos são os nomes. Desde o palhaço que ultrapassa pela direita, ao urologista do meu pai. Desde o gajo que é um bluff na vida e safa-se, ao vizinho que deita as beatas no chão da garagem do prédio ou qualquer vizinho que se apanhe a jeito (porque os vizinhos são como os nazis... não os há bons...). Desde a conhecida que se derrama cada vez que vê o meu marido ao corno do marido dela. Desde o puto que bateu no meu irmão no 6.º ano ao dono da padaria que no meio de 8 pães coloca 1 de ontem. Se aparecer, a Celine Dion também leva, assim como o André Rieu.

Espero poder gozar esse dia apocalíptico como plena serva do meu mau feitio; só no seu final poderei repousar em paz.


“Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.” Apocalipse, 11:28