Choveu e choveu e choveu. E os campos que afastam a laguna ficaram alagados e as ruas de asfalto são rios onde dois ou três carros esquecidos navegam ao sabor da corrente. O mar rugiu toda a escura noite, como se quisesse vomitar um mal dos homens que se lhe pegou. Dizem que entrou pelas dunas e foi rente às casas roubar paz e pão. Dormi perturbada pela fúria da natureza e por uma vértebra retorcida. Mas este é um promontório seguro. Daqui vê-se a miséria e a fome e a destruição e a doença e o medo, sem que nada se veja de fora, sem que nada nos venha de fora.
Quando acordei reguei os meus girassóis e pensei no infinito tempo que demorou fazer pela mão esta jarra caleidoscópio que ja sobreviveu a quatro gerações.
Depois comi tostas com queijo chedar e enquanto ouvia Einaudi na coluna B&O e via a chuva que continua a cair pensei que as praias, são mesmo, mesmo, mesmo, um péssimo sítio para morrer.
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