domingo, 22 de março de 2015

Cortinas

Irremediável como a chuva
é a ausência tatuada no pulso, 
uma nuvem líquida nos olhos estagnados,
a mancha que alastra no peito. 
Tudo irremediável como a chuva 
mais outra noite precoce, 
do lado errado do cair da cortina. 

Irremediável como a chuva 
é a indecisão a apoderar-se dos gestos, 
tentáculos inquietos da saudade. 
- Uma saudade moribunda. 
Afogada. Na água estagnada. Da chuva. Irremediável. 





6 comentários:

  1. E, ainda assim, estagnada, é saudade.

    Beijos, Cuca. :)

    ResponderEliminar
  2. Quando a ausência nos faz chover cá dentro e não afoga a saudade ..

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Se ao menos pudéssemos deixar cair a cortina...

      Eliminar
  3. Muito bom Cuca. Gosto muito.
    Vítor GC

    ResponderEliminar