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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Esta semana, lá no meu trabalho (Quando a realidade supera a ficção)


Contexto:
Velhinho sem dentes, acusado do crime de maus tratos à mulher, arrastando atrás de si umas muletas.
- É verdade o que está aqui escrito? Neste dia e hora o senhor agarrou a sua mulher pela cintura e bateu-lhe?
- Eu???? Não toco nessa mulher há vinte anos! Até me mete nojo!
- hum…e é verdade que em várias datas não concretizadas lhe chamou puta?
- Eu??? …Isso é capaz, é! Não me lembro, mas é capaz.
- hum…então e quer explicar porque é que chamou puta à sua mulher?
- Eu??? Porque ela me chama corno e cabrão!!!

Dois minutos depois entra na sala a vítima, igualmente velhinha e desdentada, mas sem muletas e ligeiramente menos arrastada.
- Ai, as coisas que esse homem me fez! Durante estes anos todos…e bateu-me e tentou deitar-me o fogo e quer envenenar-me e chama-me de tudo e tranca-me a porta para me deixar na rua….
- hum...olhe…o arguido disse aqui, antes de a senhora entrar, que só lhe chamou puta porque a senhora lhe chama cabrão...
- Eu???? Er… mas isso, eu…er…. é com carinho! Eu chamo sempre cabrão com carinho!!!

terça-feira, 27 de abril de 2010

mil desordens

::: Jeroen van Aeken, aka Hieronymus Bosch :::
O Juízo Final ::: pormenor do painel esquerdo "Paraíso"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Esta semana, lá no meu trabalho (Quando a realidade supera a ficção) III


Contexto: Velhinha de oitenta anos acusada de furtar um creme para rugas e uma pinça, num hipermercado perto de si.

-É verdade o que está aqui escrito?
- ãah???!
- Minha senhora, os factos que acabaram de lhe ser lidos …correspondem à verdade, ou não?
- Ai!! Já não me lembro, filhos!
(segue-se uma ligeira impaciência típica de quem passou a manhã a ouvir patranhas)
- Bem, a senhora já tem uma certa idade, mas isto são coisas que não se esquecem assim. Afinal, chamaram a polícia, foi revistada, teve que ir ao posto…
- Ãah?! Não, filhos!! Já não me lembro do que me leram...!