quarta-feira, 15 de abril de 2015

Armistícios

Assino o armistício temporário com uma caneta de purpurinas feitas dos restos da lua que esmagámos. 
Desenho as letras do nome que me deste como se nunca tivesse tido nenhum outro. Como se fosse eu própria uma criação tua. Parida desses dedos enormes de que, hoje, sou simples extensão. 
Amanhã continuaremos a rasgar o passado com o mesmo fervor. 
A incendiar a terra crua para que nela apenas medre um futuro de cinzas estéreis. 
Estenderemos sob o sol o campo de batalha onde vamos destruindo o mundo na eficiência e teimosia de dois bárbaros deuses gregos. 
Mas por hoje assino o armistício temporário. 
Estou cansada e o espaço que fica entre o teu pescoço e a clavícula  é a única nuvem onde me sinto capaz de dormir.
É assim, no sono, que sei que sei que sou, sobretudo, sempre, a tua mulher. 

6 comentários:

  1. Querida Cuca, a Pirata,
    Traída pela lua, assinou Paz com caneta de tinta permanente.
    Boa noite,
    Outro Ente.

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  2. Respostas
    1. Nestas guerras os armistícios são sempre curtos.

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  3. guerras

    temos a mesma fé e rezamos o mesmo terço, genuflexão em cadência gémea. batizados numa casa temperada a sol em mar tão branco, até de resineiro me empossei.

    seja sonho ou hoje, tudo se nivela desde então.

    as mulheres falam muito.

    vai lá dormir.

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    1. "Seja sonho ou hoje"...
      É por causa destas coisas que aturo este blog.

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