
Aquela viagem a New York quase dois anos adiada; cinquenta minutos de massagem no Six Senses Spa da Penha Longa; uma conta da Pandora para me lembrar que sobrevivi a um ano insuportável; babar-me em cima da filha da minha amiga A. com quem já não estou sem ser em circunstâncias trágicas há tempo demais; uma tarde de compras no Chiado entre amigas a terminar num jantar descontraído no Valentino; uma noite inesquecível no São Carlos; apaixonar-me perdidamente pelo primeiro tipo com quem me cruzar num elevador que tenha a lata de me pedir o número de telefone; a pulseira colorida da colecção de bijuteria de verão da Louis Vuitton; beber uma caipirosca com os pés enterrados na areia a ler um livro de poesia; um iphone porque serve para tudo menos para telefonar mas é lindo e eu quero um; convencer-me a mim própria que a vida que deixei para trás não é melhor do que aquela que posso ter para a frente; uma franja igual à que foi celebrizada por Heidi Klum; voltar a Veneza para reentrar na igreja de Sant Ignazio e perder-me pelo tecto de Giovanni Fumiani; doze horas de sono seguidas a babar a fronha da almofada; depilação definitiva às virilhas e às axilas; ler a Bíblia, porque já começa a ser uma questão de ignorância; gritar umas boas verdades aos ouvidos do animal que me fez perder dez anos da minha vida.
Deixo-vos o desafio. O que devem a vocês próprios?