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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tecidos orgânicos



Quando te deitas sobre o teu lado esquerdo, nesse espaço que se forma entre o pescoço e a clavícula, guardas aquilo que, durante quase um terço da minha vida, foi a almofada em que dormi.
As almofadas são o talismã dos insones.
E, hoje, eu tenho uma desesperada necessidade de dormir.

domingo, 4 de julho de 2010

Semelhança

fotografia DDiarte


semelhança
s. f.
1. Parecença.
2. Conformidade; analogia.
3. Imitação; confronto.

In
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Às vezes adormeço ao lado de um homem parecido contigo.
Despe umas roupas idênticas às tuas que dobra da mesma meticulosa forma. Usa umas mãos que são a perfeita réplica daquelas que te conheci. Copiou-te a voz, os tiques, o riso. Cultivou a essência do teu cheiro e coloca-a, apenas para me enganar.
Quase que és tu. Se não se observar muito de perto. Se não se espreitar para dentro do olhar. Se não se esbarrar na expressão vazia que devolve.
E nos últimos segundos antes de adormecer, com um falso braço caído sobre um colo verdadeiro, lembro-me que
Se conseguisse amar um holograma. ..
Se gostasse de candonga…
Se não tivesse assassinado o verdadeiro…
…Podia acordar feliz, ao lado da tua imitação.

sexta-feira, 30 de abril de 2010


Aniversário (a-ni-ver-sá-rio)
adj.
Diz-se da ocasião em que se completa um ou mais anos de um acontecimento: data aniversária.
S.m. O dia que, anualmente, corresponde ao de um acontecimento: o aniversário de uma vitória, de um nascimento.
Aniversário natalício, dia em que se completa mais um ano de vida.
(in Dicionário Web)


E assim, sem mais nem menos, acabo de concluir que este fim-de-semana estou de parabéns.

Só ainda não percebi é se neste tipo de aniversários especiais também devemos fazer uma festa e convidar os amigos.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A Cama é um deserto


"De repente a cama vazia. A sensação de não pertencer mais aqui. Os corpos habituam-se aos corpos. Quando se separam é sempre por um corte, um rasgão. Fica uma ferida, é preciso ter cuidado, prestar atenção. As mulheres são seres alados que voam para longe. Os graves homens não. De repente, à luz da noite, a cama é um deserto.
Chamemos as coisas pelos nomes. O amor que transportamos vai-se gastando por onde passamos. Não nasce do vento. O que levamos deste amor para aquele é muito pouco, não chega para nada. É preciso ter a vontade e a energia e a concentração para começar tudo outra vez. Não somos donos de nada. O que importa é o que só passa e nem se deixa tocar com os dedos. É preciso ter cuidado. De repente, à luz da noite, uma só aflição."
Pedro Paixão, in Amor Portátil, Livros Cotovia