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domingo, 3 de abril de 2011

um progresso é um progresso...

Há motivos racionais e objectivos para a sensação de optimismo que tomou conta de mim. É verdade que ainda não aprendi a fazer bolos. Daqueles grandes, bonitos, deliciosos. Ainda nem sequer tive coragem para comprar farinha e uma batedeira, que presumo essenciais à realização do meu pequeno sonho doméstico. Ainda assim, esta tarde fui dar por mim, feliz e extraordinariamente satisfeita comigo própria, a escolher chávenas de café. Para cúmulo, nem sequer comprei as pretas. Consegui regressar a casa com umas chávenas de flores coloridas. Com a mesma satisfação inimputável, ignorei as coisas importantes que tinha para fazer e destruí duas horas da minha vida, em estado semi-psicopatológico, a desembrulhar as ditas chávenas e a arrancar-lhes os auto-colantes. Por fim, cheguei mesmo ao extremo de fazer um café e de o beber na chávena nova, sentadinha no sofá, a pensar como deve ser bom ser-se uma pessoa normal.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Entrevista com a manicure

- A senhora é aquela que não gosta que lhe cortem as cutículas, não é?
- A própria.
- sabe que eu nunca antes tinha conhecido uma pessoa assim?
- não sabia.
- Até fiquei impressionada quando me disse que não queria que lhe cortasse as cutículas.
- não é caso para tanto.
- Acho uma coisa extraordinária. Falei do seu caso à minha colega.
- muito obrigada.
- há alguma razão especial para isso? Uma situação traumática?
- não. Nasci assim.