terça-feira, 12 de maio de 2015

Dos vários Herbertos

Fui à livraria buscar uma encomenda de Paveses. Junto ao balcão, um homem folheava o novo livro de Herberto com a deceção estampada no rosto. Devolveu-o às mãos do livreiro com a expressão de quem sente que o estão a tentar burlar.
- nem parece um Herberto. Não quero isto! Não é um Herberto.
O livreiro coloca o Herberto rejeitado no cimo das minhas encomendas e só depois me pergunta se quero aquele Herberto.
Digo-lhe que sim, que já agora levo. Para saber se é um Herberto.
Ele sorri-me com cumplicidade e pede-me que depois lhe transmita o veredicto.
Entendo por bem avisa-lo:
- se for um Herberto, vou demorar alguns dias até saber se gosto dele. 

"esfolo-te vivo, vadio, se me trazes outra vez versos
                                  desses,
(...)"
Herberto Helder, Poemas Canhotos

4 comentários:

  1. onde é que isso aconteceu? o livro é para ser colocado à venda dia 15. só podes estar a brincar.

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    1. Bom, assim sendo, sou eu aqui a prever o futuro...

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  2. Herberto Hélder, o Vadio

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    1. Vadio e Pirata! A minha conjugação preferida!

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