quarta-feira, 30 de março de 2016

Louca

Às vezes, 
quando ninguém está a ver, 
quando a cidade já dorme embalada 
pelo som dos eletrodomésticos, 
fujo para a praia, 
descalça, 
na minha camisa de dormir branca, 
de louca, 
cabelos soltos e desgrenhados, 
de louca. 
E, então, 
sob o olhar da grande lua 
desafogo-me na água fria do mar,
limpo a ausência das veias,
desenho na praia deserta 
as sombras circulares da minha dança, 
de louca.
E quando a luz da manhã me reencontra 
no linho dos lençóis,
ao desfazer do feitiço,
pés gelados,
mãos salgadas, 
areia entre os dentes,
sei que foi a tua mão que me devolveu.

8 comentários:

  1. É bom ter uma mão amiga para nos devolver à realidade.

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    1. À segurança. Não necessariamente à realidade.

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  2. https://www.youtube.com/watch?v=ZWtg8z4uzL0

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  3. Mesmo louca, com um sentido de estilo apurado. Só assim se explica a escolha da cor da camisa de dormir. ;)

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    1. Louca que é louca foge descalça e de camisa de dormir branca e até aos pés. Vem nos livros.

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  4. Que Bonita essa Loucura.
    beijos
    RM

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