segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Urgências

Há um silêncio que circula nas veias, que se concentra na garganta, que se faz ouvir por trás dos olhos. 
É um silêncio que só pode ser quebrado pela poesia. Uma nuvem inesperada sobre um azul matutino, a sombra de uma mão projetada na parede da sala, o vermelho de uma papoila extemporânea, o desenho da linha perfeita das costas de uma bailarina, ou, até, um verso. Qualquer forma de poesia. Tanto faz. 
É um silêncio que pesa dentro dos ossos, que queima as palmas das mãos, que escurece o olhar. Um silêncio que é urgente quebrar.

2 comentários:

  1. Quem diria que os/as piratas, também têm coração...Sinto-me tão comovida que lhe trago este excerto de um poema de Eugénio de Andrade, numa adaptação minha.
    Desfrute...e roa-se de inveja!!

    “Urgência”

    (Adaptação)

    É urgente a Paz.
    É urgente uma bandeira branca.
    É urgente terminar todas as guerras
    Ódio, solidão, maldade
    Muitos lamentos, algumas quimeras.

    É urgente redescobrir a Paz, a alegria
    Multiplicar carícias sinceras.
    É urgente descobrir sonhos e risos
    Eternas Primaveras.


    Cai o silêncio da noite
    E a luz impura, até magoar.
    É urgente a Paz.
    É urgente
    Pacificar.

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    Respostas
    1. Obrigada, Maria Antonieta. É um excelente poema.

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