sábado, 26 de novembro de 2016

Tempestade



Logo a seguir ao almoço, caiu, profunda, densa, inclemente, a intempestiva noite. As árvores dobraram-se; os raios cruzaram o céu e desfizeram-se no mar; o vento atirou pedras às minhas janelas; a tempestade expulsou os homens e fez suas as gaivotas e as ruas. 
Aqui dentro, à temperatura de uma falsa tarde de setembro, kétil Bjornstad tocava o seu piano, a sala cheirava a baunilha e a chocolate, Rushdie contava-me estórias de princesas e feiticeiras e, por um ou dois minutos, tu nunca exististe.
Então, durante o dilúvio, recordei a paz.

15 comentários:

  1. Vou comprar o rushdie a ver se comigo resulta.

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    1. Compra a feiticeira de Florença. Está cheio de feitiços e embustes!

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  2. Não há verbo mais afirmativo
    que imaginar
    a palavra esqueleto do ser subversivo.

    Dias felizes.

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  3. nada como a boa da chuva para limpezas de outono...

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  4. Nada como uma boa música para vaguear em tantos outros mundos.

    Está quase em Stefano Musso, cara Cuca.

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    1. Ainda não estou lá, mas vou já investigar isso.

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  5. perfeito, mas atenção ao gesto de mudança de cd, que o meu porta-aviões chegou agora da reparação :P

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    1. Nada temas! Entretanto adquiri perícia. (O tipo de coisas que nos filmes de dizem imediatamente antes de nos espetarmos outra vez)

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  6. diz-me, querida Cuca Laruca (e isto interessa-me mais, muito mais, do que o nome da tua barca), qual é a tua figura de proa?

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    1. Pedi emprestado ao Caravaggio o escudo de madeira onde ele pintou a medusa e passei-a ao papel:
      https://flic.kr/p/gjExTt

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