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terça-feira, 12 de outubro de 2010

to know a heart by heart


A.

Há sentimentos entre almas que, pelo menos, alvitram um certo determinismo para se encontrarem e para estarem juntas. E para se quererem bem. Esses corações vivos desconhecem a datação consciente da sua fusão e, quando se olham nos olhos, apenas conseguem dizer “parece que estamos aqui desde sempre”.

O carbono-14 é um isótopo radioactivo natural do elemento carbono, recebendo esta numeração porque apresenta número de massa 14 (6 protões e 8 neutrões). Este isótopo apresenta dois neutrões a mais no seu núcleo que o isótopo estável carbono-12. Entre os cinco isótopos instáveis do carbono, o carbono-14 é aquele que apresenta a maior meia-vida, que é de aproximadamente 5.730 anos. Nos processos radioactivos, meia-vida ou período de semidesintegração de um radioisótopo é o tempo necessário para desintegrar a metade da massa deste isótopo, que pode ocorrer em segundos ou em bilhões de anos, dependendo do grau de instabilidade do radioisótopo. Ou seja, se tivermos 1.000 kg de um material, cuja meia-vida é de 1.000 anos, passados esses 1.000 anos teremos 500 kg deste material. Mais 1.000 anos volvidos e teremos 250 kg e assim sucessivamente. No caso do carbono-14 a meia-vida é de 5.730 anos, ou seja, este é o tempo necessário para uma determinada massa deste isótopo instável decair para a metade da sua massa, transformando-se em nitrogénio-14 pela emissão de uma partícula beta.

A datação por carbono-14 é aplicável à madeira, ao próprio carbono, a sedimentos orgânicos, a ossos ou conchas marinhas - ou seja, todo material que conteve carbono em alguma de suas formas e o absorveu, mesmo que indirectamente - como pela alimentação com organismos fotossintetizantes - da atmosfera. Esta absorção acontece em toda a vida humana.

Pudesse aplicar-se aos corações vivos unidos a datação por carbono-14 e aqueles poderiam precisar o sussurro dos seus olhos, substituindo o assombroso “desde sempre” por uma data, ao menos, aproximada.


B.

O carbono que compõe os corações vivos também é diamante – que é uma forma alotrópica daquele e que é o mais duro material de ocorrência natural que se conhece, com uma dureza de 10 (valor máximo da escala de Mohs). Isto significa que não pode ser riscado por nenhum outro mineral ou substância que possua uma dureza inferior a 10. No entanto, é muito frágil, devendo-se essa característica à sua clivagem octaédrica perfeita. Estas duas características fizeram com que os diamantes não fossem talhados durante muito tempo.

Bem assim, existem corações que permanecem em bruto durante vidas. Que apenas se riscam com corações de igual dureza mas que, apesar das aparências, são muito frágeis.