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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Este Verão tem que acabar depressa


É a conclusão que tenho que tirar do facto de, ontem, ter ido fazer uma tatuagem de henna. Logo eu.

Escanzelada, trigueira. Assim era a que me desenhou um sol dinâmico no interior do tornozelo esquerdo.
Podia ser bonita, porque ainda jovem e interessante, mas falta-lhe tudo aquilo que ela despreza. Um bom hidratante. Protecção solar. Roupa de cama decente e três almofadas de penas.
O traje pretendia ser medievo. Os cabelos muito secos, enleados numas flores também secas.

Por dentro, a tenda é esmagadoramente púrpura e decorada de forma muito feminina. Demais.

O catálogo são folhas A4 encadernadas. Bichos. Símbolos. Coisas Celtas. Coisas supostamente escritas em árabe. Tem orelhas e está sujo no canto inferior direito.

Explica-me que onde vive habitualmente, em Óbidos, a chamam de bruxa. E que não se importa. Porque bruxa é sinónimo de bússola, aquela que indica o caminho.
Já sentada em almofadas e outros trapos empestados de incenso, finjo que acredito nas patranhas infantis dela.

Desenha o sol. A mão livre.

Para cima da henna ainda húmida sopra a purpurina que eu escolhi: prateada. O pó foge para longe do desenho. Ela explica: eu escolhi mal. O sol não aceita a inferioridade da prata e só merece ouro. Vai buscar o frasquinho da purpurina dourada que se cola, em massa, ao desenho.

Bruxa.
Ri-se com os olhos verdes que filtram o sol que lhes entra como num prisma.