sábado, 17 de setembro de 2011

Manhã no mercado

- Bom dia, meu senhor (“Olha que querido que é este pescador tão típico. Isto é tudo tão lindo. Vou conseguir viver aqui. vou conseguir viver aqui.”)

- Diga. (“É impressão minha ou esta anormal está a olhar para mim como se eu tivesse os pés enfiados num pedestal de madeira plantado num museu etnográfico?”)

- Queria um quilo de lapas, por favor. (“Este gentil pescador ensinar-me-á a cozinhar as lapas e eu terei um saudável almoço típico.”)

- Lapas?? (“oh, não… não vou conseguir despachar-lhe o atum”)

- Sim, lapas. (“não deve estar habituado a que se interessem pela gastronomia local e este ar aparentemente rude é uma forma de defesa. Esta gente é estranha. Respeito pelas idiossincrasias, blá, blá”.)

- Não vendemos cá disso, menina. (“mesmo que vendesse não as saberias cozinhar”)

- Não?? Como não? É uma comida típica! E eu sei que há disso na ilha (“Esta criatura horrível está-me a esconder as lapas todas para as vender aos restaurantes. E só tem dois dentes. Valha-me deus, onde eu vim parar.”)

- É. Mas se ninguém as apanhar elas não vêm de autocarro para o mercado, sabe? (“era dar com um atum na cabeça destes gajos que escrevem os guias turísticos até os deixar com os miolos de fora”)

- E agora?? Onde é que vou arranjar lapas para o almoço?? (“um…dois…três…respira…um…dois…três…não sejas malcriada…um…dois…três…aprender a amar um povo, blá, blá...infinita paciência, blá, blá”)

- Apanhe-as nas rochas. (“Aproveita e leva esses saltos, pode ser que caias de lá abaixo tu e esse teu sotaque continental”)

- Hum… Assim farei. (“Devias era ver o que eu fazia com esta gente toda se ao menos me dessem uma porcaria de um pelourinho…”)

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