sábado, 28 de abril de 2018

Tortuga

Quando o índigo mesclou o azul do fim de tarde, quando no horizonte surgiu a sombra da lua, quando as gaivotas começaram a formar na praia o seu esquadrão e eu baixei a cabeça para que Jack Sparrow me lavasse os cabelos, a paz arrefeceu-me o céu da boca e soube que era chegada a altura de partir.
Jack também o soube. Entrançou-me o cabelo ainda molhado, deu-me um beijo na testa e assegurou-me, à boa maneira Pirata, que a mesma estrela que me haverá de devolver a casa alumia a linha que nos une.
Então, debaixo dos vestidos e das flores e das pérolas encontrei a minha velha espada, encomendei-me à lua cheia e iniciei a viagem de regresso.
Sozinha, como é de metade sorte e de outra metade fado.



5 comentários:

  1. pffff! onde já se viu piratas lavarem o cabelo...

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  2. Por essas e por outras é que até piolhos apanharam na minha ausência...

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  3. Parece-me um final feliz. Os Piratas serem assim completamente livres de domesticação e, assim, preservarem o sonho.

    É o regresso da Capitã Cuca, a Pirata, para por ordem no Navio.

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  4. Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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