desce a rua à esquerda do outono
no passo firme da árvore da vida
e enlaça-me nesse instante do sono
em que a dois corações uma batida.
Dança comigo de pés torcidos
diz-me a essência dos dias
dá-me a violência dos tecidos
conta-me das estórias vadias.
Vem miúdo,
sobe a rua à direita da primavera
lava-me dos cabelos todo o sal
manda fechar as portas da guerra
desenha-me um mundo sem mal.
Dança comigo de pés unidos
alimenta-me a baclava
faz todos os espaços banidos
adormece uma rosa brava.
E, miúdo,
Corta do trapézio as cordas.
Ata-as às asas do vento norte,
que, dizem,
– nunca
voar
foi
má-sorte.
E, miúdo,
Corta do trapézio as cordas.
Ata-as às asas do vento norte,
que, dizem,
– nunca
voar
foi
má-sorte.