domingo, 22 de março de 2015
Cortinas
quinta-feira, 19 de março de 2015
Matrimónio espiritual
segunda-feira, 16 de março de 2015
Elegia dos Amantes Lúcidos
Na girândola das árvores (e não há quem as detenha)
Deixa de fora a tarde o vermelho que a tinge.
Se ao menos tu ficasses na pausa que desenha
O contorno lunar da noite que te finge!
Se ao menos eu gelasse uma corda do vento
para encontrar a forma exacta dum violino
Que fosse a sensibilidade deste pensamento
Com que a minha sombra vai pensando o meu destino
E não houvesse o sono dum telhado
Entre ter de haver eu e haver o tecto;
E a eternidade não estivesse ao lado
A colocar-nos nas costas as asas dum insecto
Meu amor, meu amor, teu gesto nasce
Para partir de ti e ser ao longe
A cor duma cidade que nos pasce
Como a ausência de deus pastando um monge
Ah, se uma súbita mão na hora a pique
Tangendo harpas geladas por segredos
Desprendesse uma aragem de repiques
Destes sinos parados pelo medo!
Mas só porque vieste fez-se tarde,
Ou é a vida que nasce já tardia
Como uma estrela que se acende e arde
Porque não cabe na rapidez do dia?
Nem homem nem mulher. Só a moeda antiga:
Uma inflação de deuses que não pode parar
Como um pássaro cego à nora da intriga
Que é a morte no centro connosco a circular.
Será o mesmo tempo que nos cabe?
Talvez sejas a raça prematura
Duma gota de orvalho que se há-de
Negar à minha sede desértica e futura.
Como o brilho dum sol partido ao meio
Damos luz pela nostalgia da metade.
Partes para ser gaivota no meu seio.
Mas não trazes no bico uma cidade.
Aqui pousou um pássaro de lume
Que deixou um voo subterrâneo
Na repetida vibração do gume
Que cada hora traz à lâmina do crânio.
Teus dedos num relógio como a picada duma abelha
A fabricar o mel da estação perdida!
Que quanto a primavera um rouxinol na telha
É toda a melodia que traz na unha a vida.
O navio tem dois extremos ermos:
Os cabelos para Vénus e os pés para Marte.
Mas a viagem é o mar com a terra a ver-nos.
E com lenços à vista ninguém parte.
Ah, se ao menos eu pudesse agora erguer-me
Como uma pedra pelas minhas mãos futuras
E ficasse para sempre a aquecer-me
Ao sol que cega efémeras criaturas!
Se soltasses as aves da rotina
E de um jorro de deuses abrisses a comporta
E reclinada em tua espádua genuína
Eu entrasse num céu sem ter que achar a porta!
Se tu viesses cavaleiro branco
Orvalhado pela manhã do meu instinto.
E ficasses a chamar-me como um canto
No porvir do nosso último recinto!
Se ficássemos espuma de Maio cor-de-rosa
Nas praias donde Maio se retira,
Enrolados nos panos duma paisagem silenciosa
Que fosse a pura sonoridade da ausência duma lira!
Ah, as sementes que te exigem em declive
Entre abismos onde nunca te despenhas
E esfumados voos em que te embebes e revives
O que de ti já pousou no cume das montanhas!
Inútil decifrarmos este oráculo de ave absorta
Na incontinência do voo que a abrasa.
Se houver um palácio sem porta, talvez seja a porta.
Se houver uma casa sem tecto, talvez seja a casa.
domingo, 15 de março de 2015
Ainda sobre a perfeição
Pastores de gaivotas
Ibsen
sábado, 14 de março de 2015
Este blogue também fez este mês cinco anos
E foi assim que te perdi
sexta-feira, 13 de março de 2015
13
terça-feira, 10 de março de 2015
Piano Song
How long until the roots break
(the roots break)
How long before the shame
(Before the shame)
How long untill she surrenders to the boy with no name?
I'm a stranger here,
Oh dear,
What now?
She never wanted to be
a leaf on the family tree,
taking a road that will lead
to a life she had already seen
segunda-feira, 9 de março de 2015
As minhas veias
domingo, 8 de março de 2015
Um erro de apreciação
sexta-feira, 6 de março de 2015
Tanta realidade
quarta-feira, 4 de março de 2015
Espelhos
domingo, 1 de março de 2015
Os sábios
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Loucos anónimos
A barbearia, os cães e as mulheres.
Ciclo Vicioso Kubler-Ross
O problema é que depois da aceitação não há mais nada. E o choque do niihilismo, já se sabe, conduz à negação.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Constatação empírica
A primeira vez que me perdi
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
A contar do fim
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
domingo, 22 de fevereiro de 2015
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Estações
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
O amor dos estúpidos não vale nada #1
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Memória de um tango
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
O amor dos estúpidos não vale nada
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Dos fundamentos psicológicos da vergonha alheia
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Do relativismo
E então, ouvimo-la dizer para o vazio, em jeito de pedido de desculpas à assistência:
- Como é que isto se faz? Eu nem sequer sei como é que isto se faz...
E nós olhamos para os pés, envergonhados pelas angústias próprias que elevamos à categoria de dor.
Poema incompleto
sábado, 14 de fevereiro de 2015
Quota disponível
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
A dor dos inocentes
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Okupas
Relatório metereológico
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Culpar as botas quando a culpa é dos pés
(...)
ESTRAGON - vamos enforcar-nos agora mesmo!
VLADIMIR - Num ramo? (Aproximam-se da árvore) Não me parece de confiança.
ESTRAGON - Não se perde nada em experimentar.
VLADIMIR - Força!
ESTRAGON - Primeiro tu.
VLADIMIR - Não senhor, primeiro tu.
ESTRAGON - Porquê eu?
VLADIMIR - Porque és mais leve do que eu.
ESTRAGON - Por isso mesmo!
VLADIMIR - Não percebo.
ESTRAGON - Puxa lá pela cabeça.
VLADIMIR - (finalmente) Continuo a não perceber.
ESTRAGON - Então é assim. (Pensa.) O ramo... O ramo...
(Zangado.) Puxa lá pela cabeça!
VLADIMIR - És a minha única esperança.
ESTRAGON (com esforço) Gogo leve - ramo não partir.
- Gogo morto. Didi pesado - Ramo partir.
- Didi sozinho. Porque se -
VLADIMIR - Não tinha pensado nisso.
ESTRAGON - se puder contigo pode com qualquer coisa.
VLADIMIR - Mas será que eu sou mais pesado do que tu?
ESTRAGON - La isso não sei. O que é que tu achas? Há cinquenta por cento de hipóteses. Ou quase.
VLADIMIR - E então o que é que fazemos?
ESTRAGON - Deixa estar. O melhor é não fazermos nada. É mais seguro.
(...)
Somos Gogo e Didi, aqui debaixo desta árvore, à espera de Godot.
comunicações intergaláticas
hoje, as gaivotas
Mas as ondas desenrolaram-se vazias e os gritos das gaivotas, assim elevados no silêncio, soaram-me ao meu próprio queixume,
pelo barco que não veio, o náufrago que não sobreviverá, os pés que não mais tocarão a terra.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Medos
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
As limitações da linguagem são quase tão infinitas como as do amor
Terrorismos
Memória de duas mãos unidas
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Teoria musical
Formulei uma teoria:
O jazz pertence à dimensão branca dos sonhos e o rock ao negrume da realidade.
Da verdade #1
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Insensatez
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Dentro da caixa de música
domingo, 25 de janeiro de 2015
Love not
A Rainha de Ítaca
sábado, 24 de janeiro de 2015
Verdon
Fechei os olhos, como mandaste, e vi.
que foi dentro do peito que o som vibrou,
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
A única forma possível de vida
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Blue Monday
Diário de Bordo
domingo, 18 de janeiro de 2015
Da verdade
sábado, 17 de janeiro de 2015
The heart asks pleasure first
Foi assim, não foi assim
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
A página 666
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
Coisa nenhuma
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
O meu livreiro
Hoje chegou o meu Wallace Stevens e eu fiquei ainda mais contente por ter um livreiro.
Demónios de estimação
domingo, 11 de janeiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
Inquietação
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
En tu abrazo yo abrazo lo que existe
(derivação regressiva de abraçar)















