
Querido Mak,
Um touro marreco; quatro cobardes pendurados em varandas (um deles vestido com um suspeito modelito muito Gaultier); um homem em perseguição aos tipos das varandas e uma velha amuada a assistir à cena, é de uma tal profundidade existencialista que não está ao alcance de qualquer um.
Felizmente para ti, eu li todos os livros daquele tipo dinamarquês cujo apelido acaba em gaard e consegui perceber que, através do postal que generosamente me enviaste, falas da angústia ontológica contida na libertação do viver em confronto com o ser.
Também não me passou despercebida a tua explicação do absurdo da existência através do non sense, o que, terás que concordar comigo, faz de ti um patafísico.
Para te agradecer o facto de me teres livrado de uma existência de trevas, procurei arduamente o postal mais feio alguma vez publicado na net.
Este não é o mais feio, mas é o mais assustador. Evoca um lânguido capuchinho vermelho decidido a tourear o lobo mau, num género “o mundo ao contrário” que acho que vai fazer o teu estilo.
Parabéns pela “iniciativa fantástica” que copiaria, não se desse o caso de ter amor ao dinheiro e crença na ingratidão humana.
Abracinho,
Cuca