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sábado, 17 de novembro de 2012

Moby-Kubler

Os meus progressos na leitura de Moby Dick e a minha travessia pela escala de Kubler-Ross são uma e a mesma coisa. Fruto de disciplina espartana, tudo foi mais ou menos andando até chegar ao 32.º capítulo. Depois veio a cetologia que, mais grave do dissipar a motivação, está a ter o efeito de me fazer questionar os propósitos da empreitada. 
Temo que quando chegar ao final do livro, a realidade acompanhe a ficção e os instintos animais vençam a razão humana. 
Nessa altura, não haverá psicologia que me valha.

domingo, 5 de agosto de 2012

Frozen Moment


Tive muitas vezes dúvidas sobre essa estranha coisa da alma e, em especial, sobre se eu própria teria sido contemplada com uma. A dúvida foi séria mas não foi razoável.

Passei os últimos dez dias sem a minha indisciplinada alma que se recusou a voltar comigo para Lisboa. Sem alma, nem ânimo, nem sucedâneo com diferente nome, sou um corpo inquieto que deambula pelo asfalto à procura de si próprio nas esquinas onde os cães fazem chichi. A metáfora será exagerada mas serve para dar a ideia geral de um estado de falência orgânica.

Às vezes penso que nunca recuperarei essa alma que ficou lá, congelada nesse momento de que fala a música.

Outras vezes, num plano menos metafísico e mais pragmático que se perdoa a quem já não tem alma, penso que deveria ter insistido para que me fizessem um desconto no bilhete de avião. Sempre são menos 21 gramas.