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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dar férias à vida

Fiscalizo anualmente a dimensão de todas as minhas frustrações perguntando-me o que faria se pudesse tirar férias da minha vida.
Já quis integrar um circo, isolar-me numa ilha grega, internar-me num hospício, ser actriz de teatro em Paris, jornalista em Nova Iorque, entrar num coma profundo durante um ano, possuir um spot de água de coco no nordeste brasileiro, trabalhar como skiper nas Maldivas…
Este ano, ao cumprir o ritual do exercício imaginário, percebi que se pudesse tirar férias da minha vida aquilo que me apetecia mesmo era aprender a fazer bolos. Grandes. Bem decorados. Deliciosos.
Inicialmente, o resultado do meu exercício de medição de frustração pessoal deixou-me razoavelmente satisfeita.
Mas a ideia de que a excentricidade da imaginária ocupação estival é proporcional ao grau de frustração pode não passar de uma interpretação optimista. A outra possibilidade, bem mais preocupante, é a de a banalidade dos meus sonhos denunciar uma existência quotidiana insuportavelmente excêntrica.