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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

de regresso a essa estância balnear abandonada, que é a minha nova terra


A menos de uma hora do fim oficial das minhas férias ocorre-me que poucas pessoas serão tão habilidosas como eu na arte de deixar escorrer o tempo pelos dedos das mãos.  

terça-feira, 6 de novembro de 2012

os donos do circo


É possível dividir a humanidade entre aqueles que se apaixonam por pessoas e os que apenas se apaixonam pelo sentimento que algumas pessoas lhes suscitam. De um lado e do outro são sempre os mesmos. Claro que apenas os últimos conseguem essa coisa da felicidade amorosa. O mistério reside na incapacidade de aprendizagem por parte dos primeiros.

domingo, 16 de setembro de 2012

Da importância do Bombay Sapphire na cicatrização dos tecidos

E assim subi (ou desci) todos os degraus da escala de Kubler-Ross, assentando os pés no patamar último da aceitação, com a satisfação interior de ter cumprido um programa que a psicologia estabeleceu para gente previsível e catalogada, como eu.
Não sei o que vem depois da aceitação. Espero que seja a amnésia e não o alcoolismo.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Pensão Amor


Quando a rotina dos teus dias te ensopa os ossos olhas para a tua vida com desdém. Sentas-te num sofá comprado na loja sueca e imaginas o que serias se tivesses escolhido o caminho da esquerda. O do coração. Nos sonhos nunca se sente a falta do que já se tem. É por isso que o caminho que não escolheste tem o suave aroma das figueiras num fim de tarde de sol. Então tornas-te vítima do teu logro e finges que estás a tempo de voltar atrás. Móis a decisão durante uns dias, juntas-lhe três doses de otimismo e regas tudo com um copo do teu melhor whiskey.  É nessa altura que o meu telefone toca.
A tua voz nas minhas sucessivas salas soa como uma nota de constância confortável. Mais ou menos como a paisagem do quadro que arrastamos pela vida fora e vamos pendurando em paredes diferentes. Descreves-me como seria o mundo se tivesses escolhido o caminho da esquerda. O do coração. Transponho-me para a tua ilusão com a certeza que durará o tempo de um sonho. Alugas-me pelas horas indispensáveis ao regresso ao cruzamento em que tornarás a escolher o caminho da direita.
Presto-te o serviço da fantasia da liberdade que tu me pagas com a fantasia de uma vida normal.

E não admira nada que, para encenarmos o próximo ato desta peça esgotada, tenhamos escolhido por palco um sítio chamado Pensão Amor.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Do medo

Conheci uma nova espécie de medo: o medo do desejo pela certeza da incapacidade de resistência à frustração.

Também tenho algum medo daquilo que esta espécie de medo possa dizer sobre mim.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O poder da persistência

“O staretz diz ao peregrino que se repetirmos constantemente essa oração (ao princípio basta dizê-la só com os lábios), o que acaba por acontecer é que a oração se torna activa. Acontece qualquer coisa ao fim de algum tempo. Não sei o que, mas acontece qualquer coisa, e as palavras sintonizam-se com o batimento do coração dessa pessoa, e então está efectivamente a rezar sem parar. O que tem um efeito místico tremendo em toda a sua visão. Acontece que é precisamente esse o propósito, mais ou menos. Quero dizer que se faz isso para purificar a visão e alcançar um conceito novo do sentido das coisas(…) Mas a coisa, a coisa maravilhosa, é quando se começa a fazer isso nem sequer faz falta que se tenha fé no que se está a fazer. Isto é, embora a pessoa possa sentir-se terrivelmente embaraçada com tudo aquilo, não há problema. O que quero dizer é que ninguém insulta ninguém ou nada. Por outras palavras, ninguém pede a ninguém que acredite no que quer que seja quando se começa. Nem sequer é preciso pensar no que se está a dizer, afirmava o staretz. Ao princípio, a única coisa que tem de se ter é quantidade. Depois, mais à frente, a quantidade transforma-se em qualidade. Pelo seu próprio poder ou coisa do género. Diz que qualquer nome de Deus, seja ele qual for, possui esse poder peculiar e activo, e começa a funcionar logo que é posto em marcha.”
J.D. Salinger, Franny e Zooey

Se a fé se adquire pela repetição ad nauseum de rituais sem sentido porque é que eu não posso legitimamente esperar que a fórmula também funcione quando aplicada ao amor?